Governação partilhada e trabalho com consentimento
Este guia explica como os Círculos tomam decisões utilizando a governação baseada no consentimento. Ele explica os papéis dos facilitadores e secretários, que ajudam as reuniões a transcorrerem sem problemas e garantem que as decisões estejam alinhadas com a missão do grupo. O foco está na comunicação clara, na escuta ativa e na cooperação. As decisões só avançam quando não existem objecções razoáveis, assegurando que as preocupações de todos são ouvidas.
Diferenças entre consenso e consentimento
Decisão por consentimento
Uma boa decisão respeita os limites daqueles que viverão com as suas consequências. Num Círculo, nenhuma decisão deve ser tomada se um membro tiver uma objeção razoável. A decisão por consentimento elimina as objecções uma a uma, tendo como objetivo "0 objecções".
Objecções
As objecções definem a área de liberdade dentro da qual o Círculo opera. O ambiente ou a própria organização podem também ter de dar o seu consentimento.
Todas as objecções são válidas, mas nem todas são "razoáveis".
O que é uma objeção razoável?
Uma objeção razoável:
- Está bem fundamentado com uma argumentação convincente.
- Indica que a proposta pode afetar a missão do Círculo.
- Afirma que a proposta desrespeita os limites das pessoas afectadas.
Resultados:
- A proposta pode ser eliminada.
- A proposta pode ser melhorada através da criatividade do grupo.
Uma objeção razoável é, na verdade, uma presente que melhora o processo de tomada de decisão.
Objecções injustificadas
Uma objeção não é razoável se
- Baseia-se na preferência pessoal.
- Visa uma pessoa e não a proposta.
- Trata-se de uma opinião pessoal ou de outra proposta.
Estado de espírito na tomada de decisões
- As decisões devem ser tomadas com base no momento presente.
- A tomada de decisões é um processo progressivo.
- As decisões devem ser aplicadas, testadas e revistas com base no feedback.
Ao utilizar uma abordagem ágil, as organizações podem determinar se uma decisão é benéfica e adaptar-se em conformidade, assegurando uma melhoria contínua.
MEMBROS DO CÍRCULO
Para garantir um espaço de trabalho eficiente, o Círculo deve ter um facilitador e um secretário para as suas reuniões.
Facilitador
- Eleito através do processo de consentimento.
- Assegura o cumprimento das regras de governação e dos processos operacionais.
- Prepara as reuniões com o secretário; abre e encerra as reuniões.
- Mantém as discussões em curso e o cumprimento dos processos.
- Define o ritmo da reunião, assegura a fluidez das trocas de impressões e dá a todos a oportunidade de falar.
- Reorienta os debates e mantém a consciência do objetivo e do contexto.
- Evita discussões fora do tema.
- Mantém uma posição neutra e diplomática.
Secretário
- Eleito através do processo de consentimento.
- Reforça a governação através da manutenção de registos e da conformidade.
- Organiza as reuniões do Círculo, assegurando a comunicação atempada dos pormenores.
- Prepara as reuniões com o facilitador.
- Aplica as regras do Círculo e mantém registos.
- Gestão do controlo do tempo.
- Documenta as decisões tomadas nas reuniões.
- Redige relatórios, arquiva-os e partilha-os com os membros.
- Actualiza a governação do Círculo utilizando ferramentas relevantes.
- Actua como árbitro em litígios relacionados com a governação.
- Apoia a facilitação quando o facilitador não está disponível.
Membros do Círculo
- Servir a atividade partilhada.
- Respeitar as regras do Círculo e manter uma atitude de cooperação.
- Contribuir ativamente para o êxito da reunião.
A importância da boa postura
As ferramentas, por si só, não resolvem os problemas, mas revelam os desafios subjacentes do grupo. Os métodos eficazes de tomada de decisões e de inteligência colectiva põem em evidência questões organizacionais não expressas. O domínio dos processos técnicos deve ser acompanhado de atitudes positivas.
Uma mentalidade cooperativa promove uma contribuição óptima. Cada membro deve perguntar: Qual é o melhor contributo que posso dar? O empenhamento no auto-aperfeiçoamento reforça a sustentabilidade do grupo.
Princípios orientadores:
- Concentrar-se no assunto.
- Falar de forma clara e simples.
- Partilhar informações relevantes.
- Comunicar de forma autêntica.
- Assumir a responsabilidade pelas contribuições.
Atribuição de turnos para falar
O facilitador determina a ordem das intervenções utilizando um formato estruturado ou aberto:
Ordem por turnos (no sentido dos ponteiros do relógio)
- Os participantes falam numa sequência definida.
- Um membro pode passar a sua vez e falar no final da ronda.
Open Turn (formato "pipoca")
- Os participantes falam quando estiverem prontos.
- Os oradores dirigem-se ao centro do Círculo.
- Um orador indica que terminou dizendo "I'm done" ou algo semelhante.
- Em seguida, outro participante pode intervir.
Comunicação em círculo
Audição
A escuta ativa aumenta a compreensão e aprofunda as discussões através de perguntas e reformulações.
Falar abertamente
- Falar por experiência própria: Evitar acusações (por exemplo, "Tu sempre...").
- Dirigir-se ao grupo e não aos indivíduos: As contribuições devem enriquecer o debate.
- Falar com clareza e consciência: Seja conciso, evite monopolizar os debates e reconheça as perspectivas pessoais como opiniões.
Os momentos de silêncio podem ajudar a refletir antes de falar. Os participantes devem manter-se centrados e o mais afastados possível das emoções e do ego.
Atitudes e competências a desenvolver
Ser ativo em vez de reativo
- Os participantes activos reflectem, articulam os pensamentos de forma clara e apresentam-nos com calma.
- Os participantes reactivos reagem de forma emocional e impulsiva.
Ouvir o Centro
- Reconhecer que ninguém detém a verdade absoluta.
- Ouvir com abertura e espírito de cooperação.
- Envolver-se com as ideias emergentes e a resolução colectiva de problemas.
Etapas para a convergência
- Aterrar - Um breve período de relaxamento antes dos debates.
- Previsão do tempo (Check-in) - Os participantes partilham o seu estado emocional, físico e mental.
- Decisão por consentimento - Escutar e tomar decisões através de uma gestão baseada no consentimento.
- Restituição (Check-out) - Os participantes partilham as suas reflexões finais antes de partirem.
Evitar o "bombardeamento" - introduzir preocupações fortes no final de uma reunião sem discussão. O facilitador pode abordar as tensões não resolvidas em reuniões futuras.